Migrar do Dynamics AX para o Dynamics 365 não é só trocar uma versão por outra. Na prática, nós estamos falando de rever processos, dados, integrações e ambiente técnico para evitar paradas, retrabalho e custo fora do previsto. Em nossa experiência na Go On Soluções, os projetos mais tranquilos começam muito antes da virada. Começam no diagnóstico.
A migração bem-sucedida nasce de um checklist técnico claro, validado e priorizado.
Muitas empresas chegam até essa etapa com pressa. É comum. O sistema já mostra limites, a sustentação fica mais cara e algumas rotinas passam a depender de ajustes manuais. A sensação é simples: algo precisa mudar. Só que migrar sem critérios pode levar problemas antigos para uma plataforma nova.
Por onde começamos
Nós gostamos de iniciar pela fotografia real do ambiente atual. Antes de falar em cronograma, é preciso entender o que existe hoje no AX, o que ainda faz sentido e o que pode ser descartado. Essa leitura evita decisões apressadas.
Nosso checklist técnico inicial costuma incluir:
- Versão exata do Dynamics AX em uso.
- Mapa de módulos ativos e processos ligados a eles.
- Inventário de customizações, extensões e relatórios.
- Lista de integrações com outros sistemas.
- Volume e qualidade dos dados históricos.
- Ambiente de infraestrutura atual, incluindo banco, servidores e segurança.
Quando esse levantamento é feito com atenção, o projeto ganha clareza. E isso muda tudo.
Checklist de requisitos técnicos
Depois do diagnóstico, nós avançamos para os requisitos que, de fato, sustentam a migração. Aqui, a ordem importa porque uma decisão afeta a outra.
1. Avaliação da arquitetura atual
Nem toda estrutura criada para o AX vai se encaixar no 365 da mesma forma. Por isso, precisamos revisar a arquitetura atual e comparar com o modelo futuro.
Verificamos, por exemplo:
- Dependência de servidores locais.
- Versões de banco de dados e compatibilidade.
- Serviços intermediários usados nas integrações.
- Rotinas agendadas e jobs críticos.
O primeiro requisito técnico é saber exatamente o que precisa ser mantido, redesenhado ou desligado.
Em muitos cenários, a empresa descobre que parte do ambiente foi criada para atender demandas antigas. Isso acontece bastante. E, quando acontece, vale simplificar.
2. Mapeamento de customizações
Esse é um dos pontos mais sensíveis. No AX, muitas empresas acumularam anos de personalizações. Algumas são úteis até hoje. Outras só existem porque ninguém quis mexer nelas.
O trabalho aqui é separar o que é regra de negócio real do que é desvio de processo. Nós avaliamos:
- Customizações no código.
- Campos e tabelas criados sob medida.
- Relatórios específicos.
- Telas adaptadas para áreas internas.
- Dependência de componentes externos.
Se a customização for mantida, ela precisa ser redesenhada no padrão da nova plataforma. Se não for, é melhor retirar antes da migração.
3. Saneamento e governança de dados
Dados ruins entram rápido no projeto e saem devagar. Por isso, saneamento não deve ficar para a última semana. Cadastros duplicados, itens inativos, clientes sem padrão e histórico inconsistente afetam testes, integrações e relatórios.
Nós recomendamos validar ao menos estes grupos:
- Cadastros mestres de clientes, fornecedores e produtos.
- Planos de contas, centros de custo e dimensões financeiras.
- Saldos, pedidos em aberto e contratos ativos.
- Histórico que precisa ser migrado e histórico que pode ficar em consulta.
Nem todo dado do AX precisa ir para o 365, mas todo dado migrado precisa ter critério.
4. Integrações e APIs
Quase nunca o ERP trabalha sozinho. Ele conversa com fiscal, WMS, CRM, portais, bancos e sistemas de chão de fábrica. Por isso, um bom checklist técnico precisa mapear todas as integrações em uso.
Nós listamos:
- Origem e destino de cada integração.
- Formato dos arquivos ou chamadas.
- Frequência de troca de dados.
- Responsável técnico de cada sistema conectado.
- Tratamento de erro e rastreabilidade.
Em alguns projetos, a integração parecia simples. Depois, ao revisar logs, percebemos que havia exceções diárias tratadas manualmente. Esse tipo de detalhe muda o escopo.
5. Segurança, acessos e compliance
A mudança de plataforma pede revisão de perfis, permissões e políticas de acesso. Não faz sentido levar para o novo ambiente usuários sem uso, perfis genéricos ou segregações frágeis.
O checklist deve considerar:
- Perfis por função e área.
- Matriz de segregação de funções.
- Usuários ativos e contas técnicas.
- Políticas de auditoria e trilhas de registro.
Segurança não se improvisa.
Na Go On Soluções, nós vemos valor nessa etapa porque ela reduz risco operacional e dá mais confiança para a entrada em produção.
6. Ambientes, testes e performance
Outro requisito técnico é preparar ambientes separados para desenvolvimento, homologação e operação. Isso permite testar sem afetar a rotina do negócio.
Os testes precisam cobrir pelo menos quatro frentes:
- Teste funcional dos processos principais.
- Teste de integração entre sistemas.
- Teste de carga e resposta.
- Teste de perfis e permissões.
Sem teste estruturado, a migração vira aposta.
Para quem quer aprofundar o tema de governança e preparação de projeto, nós também reunimos conteúdos de apoio em materiais técnicos sobre implantação, boas práticas de revisão de processos e orientações para ambientes corporativos. Em alguns casos, também vale acompanhar publicações do nosso time em artigos assinados por Romulo Oliveira ou buscar temas relacionados na pesquisa do blog.
Planejamento da virada
Chega uma hora em que a pergunta muda. Não é mais “o que falta mapear?”. Passa a ser “como vamos virar com segurança?”. Esse plano precisa detalhar janela de migração, contingência, responsáveis e critérios de aceite.
Nós sugerimos incluir no plano de cutover:
- Sequência exata das atividades técnicas.
- Pontos de validação por área.
- Critério para seguir ou voltar.
- Equipe de apoio nas primeiras horas e primeiros dias.
É nessa fase que muita tensão aparece. E isso é normal. Um roteiro claro ajuda a reduzir ruído e dá previsibilidade ao time.
Conclusão
Migrar do Dynamics AX ao 365 pede método. Não basta mover dados e publicar usuários. É preciso revisar arquitetura, limpar cadastros, redesenhar integrações, testar cenários e preparar a virada com disciplina. Quando seguimos esse checklist técnico, a mudança deixa de ser um salto no escuro e passa a ser um projeto controlado.
Se a sua empresa está avaliando esse caminho, nós da Go On Soluções podemos apoiar desde o diagnóstico até a entrada em produção, com uma leitura técnica alinhada ao negócio. Fale conosco para entender o cenário atual e montar um plano de migração mais seguro para o seu ERP.
Perguntas frequentes
O que é a migração do Dynamics AX?
É o processo de transição do ambiente, dos dados, das customizações e dos processos do Dynamics AX para o Dynamics 365. Essa mudança pode envolver revisão técnica, adaptação funcional, testes e treinamento das equipes.
Como migrar do AX para o 365?
Nós migramos por etapas. Primeiro, avaliamos o ambiente atual. Depois, mapeamos customizações, dados e integrações. Em seguida, preparamos o novo ambiente, executamos testes, validamos processos e realizamos a virada com um plano de contingência.
Quais são os requisitos técnicos principais?
Os principais requisitos são inventário do ambiente atual, revisão de arquitetura, saneamento de dados, mapeamento de customizações, validação de integrações, revisão de acessos e preparação de ambientes de teste e produção.
Vale a pena migrar para o Dynamics 365?
Em muitos casos, sim. A migração tende a fazer sentido quando o AX já limita a evolução do negócio, exige muita manutenção ou dificulta integrações e atualizações. A resposta final depende do cenário técnico e dos objetivos da empresa.
Quanto custa migrar do AX para o 365?
O custo varia conforme o volume de dados, a quantidade de customizações, o número de integrações, os módulos envolvidos e o nível de apoio necessário no projeto. Por isso, nós sempre indicamos um diagnóstico inicial para estimar esforço, prazo e investimento com mais precisão.



